
Atlético contra São Paulo: entrevista coletiva com o técnico Cuca.
O Atlético Mineiro empatou sem gols com o São Paulo na segunda rodada do Campeonato Brasileiro, em partida realizada no Mineirão. Durante o segundo tempo, o Galo teve domínio, mas esbarrou em uma atuação brilhante do goleiro adversário, Rafael. O técnico Cuca comentou sobre o desempenho da equipe, as oportunidades criadas e a ausência de Lyanco, expulso nos acréscimos.
Pergunta: O Atlético teve mais chances no jogo. No primeiro tempo, o desempenho não foi tão bom, mas houve mudanças. Como você avalia esse empate no Mineirão?
Cuca: “Foram dois tempos distintos. No primeiro, buscamos os espaços e a marcação, mas não conseguimos pressionar a saída de bola do adversário, que é técnico. O São Paulo teve mais controle, mas não foi um domínio total. As oportunidades de gol e escanteios foram semelhantes para ambos. O São Paulo teve um controle maior no meio de campo”.
“No segundo tempo, além das substituições, a atitude foi diferente, e fomos o Galo que conhecemos. Criamos várias oportunidades, com 17 chutes a gol contra poucos do São Paulo. O goleiro adversário, mais uma vez, foi o destaque. Fizemos jogadas pelas laterais, mas não conseguimos superar a defesa do São Paulo, que se fechou bem e buscou contra-ataques”.
“Tivemos domínio da partida, com o dobro de posse de bola e muitas finalizações. Infelizmente, não vencemos. No futebol, é mais fácil corrigir finalizações do que criar chances. Em algumas jogadas, a bola quase foi indefensável, como nas cabeçadas de Lyanco e Junior Santos. Continuaremos focados no bom desempenho, como no segundo tempo, e os resultados virão”.
Pergunta: O Bernard parece ter feito um dos seus melhores jogos no segundo tempo, mas a torcida parece estar perdendo a esperança nele. Como trabalhar para que ele retome a forma de 2012 e 2013?
Cuca: “Confiança é essencial em qualquer profissão. Jogar com a desconfiança da torcida num estádio cheio é desafiador. Bernard de 2013 tinha características que evoluíram. Precisamos explorar suas qualidades adquiridas na Europa. Hoje, ele entrou bem, em um momento difícil. A atitude no segundo tempo foi diferenciada, e tivemos total controle do jogo, mas o gol da vitória não veio”.
Pergunta: O nível do Campeonato Brasileiro aumentou. Você acha que o meio-campo do Atlético está com menos intensidade nos últimos jogos? Há opções para suprir essa demanda?
Cuca: “O nível sobe, sim, mas também depende das características dos jogadores. Não adianta querer um time marcador se os jogadores não têm essa característica. É preciso adaptar-se aos jogadores. A essência deles não muda, mas eles podem se esforçar pela equipe”.
Pergunta: Até que ponto você influencia as ações de jogadores como Lyanco, que tem feito boas apresentações, mas às vezes é imprudente? Como evitar cartões desnecessários?
Cuca: “Concordo em partes. Lyanco tem uma personalidade forte. Se mudar isso, posso precisar que ele retome sua essência no futuro. Ele levou um cartão que poderia ser evitado. No jogo, adversários experientes tentam explorar isso para provocar um segundo cartão. Conversamos sobre ter cuidado para evitar o segundo amarelo. É importante corrigir, mas não podar suas características”.
Pergunta: Sobre o Arana, desde a lesão, ele parece não ser o mesmo. Como recuperar seu melhor futebol?
Cuca: “O adversário reforçou a marcação por causa da qualidade do Arana. No segundo tempo, ele foi uma ótima válvula de escape. Se tivéssemos vencido, ele seria enaltecido. O Arana é marcado com rigor. Ele é criticado, mas vejo sua importância para o grupo”.
Pergunta: Sobre finalizações, o Galo criou muito, mas parou no goleiro Rafael. Como trabalhar essa situação? Ansiedade ou técnica?
Cuca: “Acredito em tudo isso. No treino, focamos em finalizações e criar espaços. Estamos melhorando, mas ainda não é o ideal. Se fosse, teríamos marcado mais gols. Precisamos continuar treinando finalizações e ter confiança para fazer gols”.
Pergunta: Com a expulsão de Lyanco, qual será o impacto tático para o próximo jogo?
Cuca: “Lyanco é crucial para nós. Temos opções como Igor Rabello, Vitor Hugo, Rômulo e Ivan. Vamos pensar bem para substituir Lyanco na próxima partida. Ele é um excelente zagueiro, e sua ausência será sentida”.
Pergunta: Em Porto Alegre, você estava satisfeito com o desempenho. E hoje, como está sua satisfação com o elenco?
Cuca: “Vamos para casa tristes, merecíamos vencer, principalmente pelo segundo tempo. O elenco? Quanto mais forte, maior a chance de vencer um campeonato longo. Já perdemos Lyanco e enfrentamos desafios. Estamos discutindo internamente a qualificação do elenco. Nosso time é bom, mas mais opções sempre são bem-vindas”.
Foto: Pedro Souza/Galo
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